Diálogos formativos entre Moçambique e Brasil (PDSE CAPES - UFMA/Brasil e UniRovuma/Moçambique)

Este projeto é resultado da experiência da doutoranda Soraia Sousa (bolsista PDSE/CAPES) que realizou estágio na Universidade Rovuma/Moçambique). 

A experiência do estudo não se encerra em si mesma, mas instaura condições para que suas reflexões e produções se desdobrem em práticas formativas, materiais pedagógicos e processos coletivos de reconfiguração do conhecimento. O potencial de multiplicação dessa experiência manifesta-se de maneira concreta e estratégica, especialmente no campo da formação continuada de docentes em universidades e redes de ensino no Brasil e em Moçambique. 

A pesquisa oferece bases para a construção de propostas formativas situadas, capazes de dialogar diretamente com as realidades históricas, institucionais e culturais vivenciadas por educadoras e educadores em ambos os países. No caso brasileiro, abre caminhos para a consolidação de programas de formação que fortaleçam a implementação da Lei 10.639/03, enfrentem a subalternização epistemológica e promovam o reconhecimento de mulheres negras como produtoras de conhecimento. Em Moçambique, a pesquisa contribui para o fortalecimento de processos formativos que valorizem intelectuais negras locais e suas experiências na docência universitária. 

O estudo possibilita a criação de percursos formativos que problematizem a colonialidade ainda presente no ensino superior e incentivem o desenvolvimento de epistemologias africanas comprometidas com a realidade do país e do continente. O potencial multiplicador se amplia ainda mais quando se considera a construção de espaços formativos transnacionais. A pesquisa oferece subsídios para o desenvolvimento de projetos cooperativos entre instituições de ensino superior, possibilitando intercâmbios acadêmicos, encontros formativos virtuais, publicações compartilhadas e produção de materiais destinados a docentes dos dois contextos. A articulação entre África e América Latina, especialmente entre países que compartilham histórias de colonização, resistência e diáspora, fortalece iniciativas de internacionalização da educação para além dos circuitos eurocêntricos que ainda dominam a circulação do conhecimento. A formação continuada que emerge desse estudo pode assumir formatos diversos, como cursos, oficinas, módulos integrados em programas já existentes, grupos de estudo, materiais didáticos e produção de conteúdos digitais.

Aqui serão disponibilizados informações e recursos didáticos como mapas, vídeos, banners que poderão ser estudados e utilizados por docentes em sala de aula sobre o contexto africano, especialmente a partir da experiência da doutoranda por ocasião da participação no PDSE/CAPES.

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Conexão Brasil - Moçambique

Toda pesquisa carrega caminhos, encontros e travessias. Nesta nova série de publicações do Observatório MafroEduc, acompanharemos a experiência de Doutorado Sanduíche realizada na Universidade Rovuma, em Nampula, Moçambique.

A partir dos estudos sobre educação, afrocentricidade, epistemologias africanas e produções intelectuais negras, esta experiência tem possibilitado diálogos, aprendizagens e reflexões que atravessam fronteiras geográficas e acadêmicas, fortalecendo as conexões entre Brasil e continente africano.

Ao longo das próximas postagens, serão compartilhadas experiências, narrativas, lugares, histórias e aprendizados construídos nessa travessia entre Brasil e Moçambique.

Para conhecer Moçambique

Convidamos você a conhecer um pouco do território que acolhe essa travessia!

Localizado no sudeste do continente africano, Moçambique é um país marcado por uma rica diversidade cultural, linguística e histórica. Suas paisagens, povos e tradições revelam múltiplas formas de existir, produzir conhecimento e preservar memórias.

Nesta jornada, conhecer o território também significa reconhecer as histórias, os saberes e as experiências que atravessam esse espaço. Moçambique nos apresenta caminhos de aprendizagem sobre ancestralidade, cultura, educação e resistência.

NAMPULA: Onde as mulheres macuas colorem o cotidiano

Ao norte de Moçambique, Nampula revela uma riqueza cultural marcada por histórias, tradições e modos de viver que atravessam gerações.

A região é reconhecida pela presença de práticas culturais que expressam pertencimento, memória e identidade. Nesse território, as mulheres ocupam um lugar fundamental na preservação dos saberes, das tradições e das formas de organização comunitária.

Entre tecidos, cores e símbolos, a capulana se destaca como uma expressão cotidiana de cultura e pertencimento. Mais do que uma peça de vestuário, ela acompanha diferentes momentos da vida, além de comunicar histórias e identidades. Assim como o mussiro que, por sua vez, representa uma prática ancestral relacionada ao cuidado, à beleza e aos conhecimentos transmitidos entre gerações.

Nesta postagem, convidamos você a conhecer um pouco de Nampula e das mulheres macuas, cujas práticas continuam fortalecendo a memória cultural do norte de Moçambique.